Canção do meu abandono
Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
que importa se as ruas estão cheias de mulheres
esbanjando belezas e promessas
ao alcance da mão?
Se tu já não me queres
é funda e sem remédio a minha solidão...
Era tão fácil ser feliz quando estavas comigo!
Quantas vezes, sem motivo nenhum, ouvi teu riso rindo
feliz, como um guizo em tua boca?
E todo momento
mesmo sem te beijar eu te estava beijando:
- com as mãos, com os olhos, com o pensamento,
numa ansiedade louca!
Nossos olhos. meu Deus! nossos olhos, os meus
nos teus,
os teus
nos meus,
se misturavam confundindo as cores
ansiosos como os olhos
que se dizem adeus..
Não era adeus, no entanto, o que estava em teus olhos
e nos meus,
era êxtase, ventura, infinito langor,
era uma estranha, uma esquisita, uma ansiosa mistura
de ternura com ternura
no mesmo olhar de amor!
Ainda ontem, cada instante era uma nova espera ...
Deslumbramento, alegria exuberante
e sem limite...
E de repente,
de repente eu me sinto triste como um velho muro
cheio de hera
embora a luz do Sol num delírio palpite!
Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
Podia até morrer, se já não há belezas ignoradas
quando inteira te despi,
nem alegrias incalculadas
depois das que senti...
Depois de te amar assim, como um deus, como um louco,
nada me bastará, e se tudo é tão pouco...
... eu devia morrer...