Mariposa da noite, asa cor das estrelas,
quero morrer queimando as minhas ânsias
na luz do drama que se ergue
pura como uma prece,
ou viver apagado e perdido na sombra
onde ninguém possa me perceber
- onde ninguém me conhece...
Ou a luz da gloria há de me escravizar
inutilmente,
projetara minha imagem sobre o mundo
crescendo à proporção que ela crescer também,
ou a sombra, onde possa perder minha sombra,
e o sossego feliz dos que nunca aparecem
nesse estranho destino de não ser ninguém...
Ou passar pelas densas multidões abrindo
como uma quilha ousada a espuma dos aplausos,
ver o corpo usufruir as conquistas do espirito
e se imortalizar no bronze a no retrato;
ou evitar a arena onde os homens se chocam
e dar a minha vida o destino de um sonho
que nem chegou a ser, no seu anonimato...
Mariposa da noite, asas pulverizadas
com esse pó que no céu luminoso transluz,
ou rolarei na noite como um meteoro
no mistério das noites consteladas,
ou alimentarei com as minhas asas tontas
o delírio da luz!
Este dilema encerra a minha trajetória,
qual será meu destino, entretanto, nao sei,
- ou a glória da paz, glória de não ter glória,
ou a glória da glória, e me consumirei!
Acabei de dançar, de beber, de sorrir...