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Dualismo

Sou a repetição de um velhíssimo drama,
pantomima banal sem princípio e sem fim...
(há de sempre existir na vida de quem ama
um pouco de Pierrot... e um pouco de Arlequim!)

Como uma ave escondida a cantar numa rama,
trago um poeta que sonha e faz versos por mim,
- a alma cheia de sol !... sigo no entanto assim
como quem traz nos pés sempre um pouco de lama...

Meus olhos são janelas que escancaro ao sonho!
E as mãos, - mesmo nas horas em que a sós componho
São raízes nervosas de desejos vãos...

Existo, - nesse eterno dualismo esquisito:.
- tendo os olhos abertos cheios de infinito!
- e enraizadas na terra, e sujas, as minhas mãos!

 
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