Às vezes, quando escrevo feliz uma poesia,
me assalta um estranho remorso, incompreensível
que não sei de onde vem:
"Quem sabe? pode ser que esse meu canto de alegria
faça mal a alguém..."
Meu irmão triste, meu irmão doente,
perdoem-me a cantiga frívola e contente,
que me fugiu dos lábios na manhã alvissareira
de verão
Ela brotou sem querer da minha felicidade!
- é que eu trago uma cigarra cantadeira
e imprudente
dentro do coração!
Não é por mal, não é por mal...
Quem pode condenar a alegria da cigarra
em seu sonho
estival?
- a estridular distraída e tagarela
e a dizer que a vida é bela,
- na árvore verde que há no pátio tristonho
do hospital?