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Madrigal


Gosto de te falar de amor, do nosso amor,
retendo em minhas mãos as tuas mãos pequenas,
- quando a tarde no céu põe desmaios de cor
e há no espaço um rumor inaudível de penas ...

Gosto de conversar com os teus olhos estranhos
no silêncio feliz de intérminos idílios,
- inebria-me a luz dos teus olhos castanhos
através do "abat-jour" de seda dos teus cílios...

Gosto de te falar de amor, falar baixinho...
Tudo o que então te digo, a sós, nesses instantes,
é assim como o arrulhar amoroso de um ninho
ou o rumor de uma fonte em lugares distantes...

Gosto de te falar de amor, - sentir que aos poucos
vamos ficando tontos, sem querer, os dois...
E te ouço a me dizer que não! que somos loucos!
- e te entregas inteira em meus braços depois...

Gosto de te falar de amor, - pela expressão
de amor que há nos teus olhos quando assim te falo,
- por tudo o que teus gestos pródigos darão
na embriaguez do segundo eterno em que me calo...

Gosto de te falar de amor, - nesta certeza
de que gostas também que te fale de amor...
- És a terra que vive! - e eu sou a correnteza
que canta e que fecunda a terra e a enche de flor!

 
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