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Marinha V Imprimir E-mail



Está renascendo está ânsia, que julguei superada
como uma onda na praia,
e ela retorna como uma onda nova, encapelada
sobre o coração.

Esta ânsia de fuga sem tocata, de fuga à fatalidade
prosaica do destino
ao tiro burguês que prostrou de tocaia irremediavelmente o sonho
e que não responderá pelo delito.

Sinto que me atingiram em cheio o peito,
- neste líquido quente
ainda pulsa a vida que vem de dentro como as águas dos "geisers"
revelando o coração da terra.

Cambaleio, como bêbedo, meus olhos estão turvos
como espelhos côncavos,
Sinto que me atingiram em cheio o peito,
mas meu espirito paira nítido como a estratosfera
inalcançável às nuvens e às perturbações do mundo.

Está voltando esta ânsia, renascendo como gêmula verde de tronco abatido,
entre os destroços da queimada,
e sinto que ainda ascenderei além das nuvens,

[como o pé de feijão da história infantil,
e chegarei à asa do avião que me levara como Flash Gordon
para luas surrealistas.

Nas visões da crise nova, Hong-Kong e coqueirais do Pacifico
se misturam aos cais de Hamburgo e às ladeiras de Montparnasse,
e a morena de Hawaii dança sobre meus joelhos, enquanto minhas mãos
deslizam sobre as ancas da mulher perdida de Anvers...

As arcadas de Leandro Arlen viajam pelo mundo num tango
e ancoram num bar da Broadway, onde um japonês de MacArthur
faz um brinde a América com um trago de vodca.

Não sei onde me levará esta onda que cresce, e só desejo
que haja ainda algum penhasco submerso,
para que ao menos possa acabar como os restos de um naufrágio
dando a alguma praia sem nome.

 
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